A estação dos amores

May 4, 2020

 

A estação dos amores perdidos

Está coberta por uma névoa de tempos distantes

E nela, às vezes

Nós vemos dois arco-íris.

 

Há trens que chegam e não chegam,

Há trens que demoram uma vida em chegar,

Os céus gritam um nome a cada vez

Ou explodem e confundem os nomes,

E tudo é árido e submarino

E tudo é espera e passos que se vão

Como um louco que persegue o horizonte

Como uma sacola que voa pelos ares...

 

Um filme que nunca terminou,

Que nunca, sentados no distante sofá, acabamos de ver.

Sempre na estação há um momento em que todos se sentam

E pensam no que foi, no que poderia ter sido...

Jovens e velhos olhando para o céu estagnado

Enquanto os trens chegam, vão, rompem o horizonte

E o antigo relógio, num poste abandonado                    

Parece dar sempre e sempre a mesma hora.

 

By: Gonzalo Bolliger

gonzalobolliger@hotmail.com

REFERENCES

  1. Gonzalo Bolliger. (2020). "A estação dos amores".
  2. Lyndah Katusiime. (Nov, 2019). "Image: Africa on the Move or Transport". Wikimedia Commons.

About Author(s)

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Gonzalo Bolliger
Gonzalo was born in Lima, Peru, in 1989, but he has been living in Brazil since 1994. He has always had an enormous need to express himself and his internal perception of the world. So as soon as he started writing (when he was 14 years old), he understood that art, in general, was the perfect way to accomplish it. He has studied languages at the University of São Paulo (USP), and nowadays, he works as a writer, a teacher, and translating papers. He will be publishing all his written works and poems this year, 2020.

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